Maturidade Digital Avançada: o que fazem 7,5% das empresas no Brasil
Só 7.5% das empresas brasileiras chegaram a estágio avançado de maturidade em inovação, segundo levantamento da ABES. A pergunta mais útil não é “por que a maioria ainda não chegou lá” — já respondemos isso em outro artigo. É: o que esse grupo pequeno faz de diferente, de forma específica e replicável.
A resposta não é “investem mais em tecnologia”. É mais estrutural do que isso — e menos óbvia.
O entrave que a ABES identificou: integração entre TI e negócio
O dado mais específico do levantamento da ABES não é o percentual de empresas avançadas — é o que trava as demais: integração entre TI e negócio ainda é o principal entrave para subir de estágio. Isso significa que, na prática, a maioria das empresas brasileiras trata tecnologia como departamento de suporte, não como parte da estratégia central — exatamente o erro que discutimos em O Guia do executivo para liderar a transformação digital.
Empresas no grupo avançado, por contraste, tendem a ter tecnologia representada nas decisões de negócio desde o início — não como área que recebe demanda pronta, mas como parte de como a estratégia é formulada.
O que separa maturidade real de entusiasmo: orçamento e métrica
Uma pesquisa recente da MIT Technology Review Brasil, em parceria com a Skyone, com cerca de 265 líderes de empresas de diferentes portes, revela o descompasso entre ambição e maturidade real: 99% das empresas consideram agentes de IA centrais para o negócio nos próximos três anos, mas 74% ainda estão em estágio inicial ou intermediário de adoção.

Pesquisa revela o “Gap de Execução” na adoção de IA por empresas brasileiras. Um novo infográfico, baseado em dados da MIT Technology Review Brasil e Skyone, ilustra o grande descompasso entre o desejo e a realidade do uso da Inteligência Artificial (IA) em nosso país.
| Indicador | O que revela |
|---|---|
| 57% sem orçamento dedicado para IA | Iniciativa tratada como projeto pontual, não como capacidade estrutural |
| Apenas 14% usam ROI como métrica principal | Maioria mede produtividade pontual, não retorno estrutural |
| 46% investem em IA focando produtividade imediata | Prioridade em ganho rápido, não inovação estrutural de longo prazo |
| 59% não preparadas para times híbridos humano-IA | Falta de modelo de gestão para a próxima fase de adoção |
O grupo dos 7.5% avançados provavelmente inverte essa tabela: orçamento dedicado, ROI como critério de decisão, foco em inovação estrutural, e modelo de gestão já pensado para operação híbrida humano-IA — não como exceção, mas como padrão.
As 3 práticas estruturais da maturidade avançada
1. Tecnologia representada na mesa de decisão estratégica, não convocada depois que a decisão de negócio já foi tomada. Isso resolve diretamente o entrave de integração TI-negócio que a ABES identificou.
2. Orçamento de IA tratado como investimento contínuo, com linha própria no planejamento anual — não como projeto isolado que compete por verba residual com outras áreas.
3. ROI como critério de decisão desde o início, com linha de base definida antes de qualquer investimento, seguindo a mesma lógica detalhada em Como Apresentar ROI de Tecnologia ao Board.
O prêmio de estar nesse grupo é mensurável
Não é vantagem teórica. Segundo a McKinsey, empresas líderes em maturidade digital no Brasil crescem EBITA até 5 vezes mais rápido que as demais. A diferença entre estar nos 7.5% avançados ou nos 92,5% restantes não é sorte de setor — é o resultado direto de decisões estruturais sobre orçamento, métrica e integração organizacional, tomadas de forma consistente ao longo do tempo.
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Perguntas frequentes
O que caracteriza as empresas brasileiras em estágio avançado de maturidade digital?
Segundo a ABES, o principal diferencial é a integração real entre TI e negócio — o entrave mais citado pelas demais empresas. Elas também tendem a ter orçamento dedicado para IA e usar ROI como métrica principal, não apenas produtividade.
Por que apenas 7.5% das empresas brasileiras estão em estágio avançado?
Porque a maioria ainda trata tecnologia e IA como iniciativa de produtividade pontual, sem orçamento dedicado nem métrica de ROI clara, e sem integração estrutural entre TI e as áreas de negócio.
Ter orçamento dedicado para IA faz diferença real na maturidade?
Sim. Pesquisa da MIT Technology Review Brasil com a Skyone mostra que 57% das empresas não têm orçamento dedicado para iniciativas de IA — a ausência desse orçamento é um dos fatores que mais trava a evolução de estágio inicial para avançado.
Qual métrica separa empresas maduras das demais no uso de IA?
ROI. Apenas 14% das empresas usam ROI como principal métrica para avaliar iniciativas de IA, segundo a MIT Technology Review Brasil/Skyone — a maioria mede produtividade pontual, não retorno estrutural sobre investimento.
Empresas maduras digitalmente crescem mais?
Sim. Segundo a McKinsey, empresas líderes em maturidade digital no Brasil crescem EBITA até 5 vezes mais rápido que as demais.
O grupo avançado não tem mais sorte, tem mais estrutura
Integração entre TI e negócio, orçamento dedicado e ROI como critério não são conquistas de um único projeto — são decisões estruturais que se acumulam. É esse acúmulo que separa os 7.5% do resto.
Se isso faz sentido para o momento que você está vivendo, a nossa Strategy Session é o próximo passo.